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Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

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Extrato de membrana amniótica pode vir a ser importante no tratamento de processos inflamatórios
Sobre o estudo
Nas últimas décadas, tem-se vindo a aprofundar a compreensão sobre o sistema imune, responsável pelo reconhecimento e eliminação de corpos estranhos ao organismo, protegendo-o contra doenças. Uma vez que uma resposta imune exagerada está associada ao aparecimento e desenvolvimento de diversas patologias, é importante conhecer os mecanismos que regulam a função imune. Por outro lado, sabe-se que a resposta inflamatória, gerada no decurso de diversas doenças de foro não imunológico, promove um curso clínico desfavorável.

Em paralelo, foram feitas importantes descobertas sobre células mesenquimais estaminais, células indiferenciadas, presentes em diversos tecidos, com capacidade para os regenerar e capazes de libertar substâncias que podem diminuir a atividade do sistema imune. A terapia celular com este tipo de células representa uma nova esperança, por exemplo, para doentes com esclerose múltipla ou artrite reumatóide, que não respondem às terapias disponíveis. Contudo, está associada a alguns riscos como transmissão de vírus, formação de tecidos anormais, e rejeição das células mesenquimais estaminais pelo sistema imune do doente.

A membrana amniótica humana é rica em células mesenquimais estaminais, pelo que pode vir a constituir uma fonte importante para a obtenção de moléculas com capacidade imunomoduladora, que são libertadas por estas células.


Resultados e impacto
Com este estudo pretendeu-se investigar se o efeito imunomodulatório do extrato de membrana amniótica humana é semelhante aos das células mesenquimais estaminais. Uma compreensão abrangente e detalhada da capacidade imunomodulatória da membrana amniótica torna-se relevante na perspetiva de esta poder ser utilizada em alternativa à terapia celular com células mesenquimais estaminais no tratamento de doentes, de modo a conseguir manter os benefícios e diminuir os riscos associados à sua utilização direta.

Embora já fossem conhecidos efeitos imunomodulatórios da membrana amniótica humana, desconhecia-se o seu efeito em diferentes subpopulações de células imunes em diferentes estados de ativação.

Este trabalho mostra que o extrato de membrana amniótica humana inibe o desenvolvimento da resposta inflamatória, devido ao efeito inibitório na produção de determinados intermediários inflamatórios por monócitos e células dendríticas, assim como a resposta imune através da diminuição da expressão de moléculas com função citotóxica em linfócitos.

Artur Paiva

Cell and Tissue Research
Amniotic membrane extract differentially regulates human peripheral blood T cell subsets, monocyte subpopulations and myeloid dendritic cells


fotografia retirada de https://www.humpath.com/spip.php?article5400