Isto é FMUC

Gabinete de Educação Médica

VOICEmed #3
Lino Gonçalves diz ser um pouco suspeito para falar do Gabinete de Educação Médica (GEM).
A razão? Colaborar neste campo é “a realização de um sonho”. “Trabalho nesta área há cerca de 16 anos ao nível europeu, onde adquiri conhecimento e experiência, que me permitem ver as coisas com outros olhos”, reitera. Lino Gonçalves é o diretor da estrutura, cargo que acumula com o de docente da FMUC e diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital Geral do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (HG-CHUC), entre outras funções. Começa por chamar a atenção para “o papel central na educação” que o gabinete tem dentro da instituição.

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No Regulamento nº 247/2017, publicado em Diário da República a 11 de maio do ano passado, a estrutura aparece descrita no Artigo 18º. Trata-se de um serviço que tem como função o apoio ao diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC): “O GEM tem por missão fundamental a avaliação e promoção da qualidade pedagógica do ensino pré e pós -graduado ministrado pela FMUC, em consonância com a orientação expressa no Quadro Pedagógico da FMUC e em estreita articulação com as normas e disposições constantes do Sistema de Gestão da Qualidade da Universidade de Coimbra e dos seus Regulamentos Pedagógico e Académico”, como consta do ponto 2 do artigo em questão.

Hugo Camilo é o subdiretor do gabinete. Alinhado com o seu diretor, descreve como fulcral o investimento, “sobretudo na área pedagógica, e em especial na vertente da educação médica”, através de cursos e ‘workshops’. “Os cursos TIPs [‘Teaching Improvement Project’] foram reformulados e passaram a designar-se L2B^2T [‘Learn To Be a Better Teacher’]”, explica o subdiretor do GEM. A oferta do gabinete passou, assim, a ter uma linha mais centrada na formação pedagógica e outra mais dirigida a metodologias de investigação. Hugo Camilo nota ainda que as formações efetuadas pelo GEM têm sido avaliadas com sucesso. “A única questão é que não conseguimos ter o volume e a frequência que gostaríamos e desejaríamos, também por uma escassez de recursos”, ressalva.
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Lino Gonçalves assente, sublinhando que a existência de recursos humanos é essencial. “Se tivermos mais recursos humanos, isso vai permitir-nos chegar mais longe nalgumas áreas onde gostaríamos de ter um papel mais determinante”, ilustra o diretor do GEM. Entre essas áreas encontra-se a execução de um ‘log book’ de competências, uma espécie de caderneta onde estejam descritas competências práticas essenciais à prática futura do estudante enquanto médico, e que devem ser atingidas durante a formação.

Entre os outros setores de atuação do GEM está o apoio à avaliação dos alunos. “Uma grande parte das unidades curriculares recorre ao que designamos de serviço de leitura ótica e análise decimológica, para fazer a leitura dos resultados de testes de escolha múltipla e a interpretação da informação estatística que é produzida através das respostas às perguntas”, salienta Hugo Camilo.

A investigação no campo da educação médica também faz parte da produção do GEM. “Temos agora um processo de investigação a decorrer, através de um programa de aprendizagem assistida por pares, que envolve os alunos do sexto ano no ensino de colegas mais novos”, descreve o diretor do GEM, classificando-o como “pioneiro”. Tal como o diretor, Hugo Camilo reitera “a cooperação com outras escolas médicas e unidades congéneres”, tanto no plano nacional como internacional.

Instado a pronunciar-se sobre o maior desafio no GEM, Hugo Camilo frisa que há diferenças consoante as épocas. “Mas a questão que me preocupa mais é saber se a nossa atuação tem, depois, uma tradução real, concreta, em alterações práticas. O domínio da formação é aquele em que temos mais dificuldade em apreciar os resultados concretos”, conclui.

Com um mandato acoplado ao da direção da FMUC, Lino Gonçalves é claro. “Se conseguíssemos completar os projetos que temos em mãos, penso que teríamos os nossos objetivos atingidos”. Salienta o exemplo dos cursos L2B, dirigidos a quem quer ser um melhor professor, investigador ou mentor. “A importância destes cursos é muito grande, são cursos estruturantes para o desenvolvimento da nossa faculdade, focados nos seus pilares fundamentais – o ensino e a investigação”. 

 

 

 

por Paulo Sérgio Santos
fotografia de topo Paulo Amaral